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"O Juízo Final do José do Telhado"
Da autoria do Pintor Francisco Araújo
2025, óleo sobre tela, 100x120 cm
Da esquerda para a direita:
Um Juiz, Nossa Senhora da Conceição, José do Telhado, Camilo Castelo Branco.
Esta obra surge como o desfecho do processo de José do Telhado. Apresenta-se como um final em aberto pois é um processo que nunca se poderá encerrar, é este facto e a complexidade da personagem e da discussão que esta cria que assenta a beleza ou a curiosidade nesta interrogação infinita do seu caso.
José do Telhado surge como a personagem de cristo nas composições clássicas, no meio de um triângulo ascendente, da trindade. Este é composto pela Nossa Senhora da Conceição, completado por um juiz e por Camilo Castelo Branco.
O bandido romântico surge a ser levado para os céus pela Padroeira de Portugal, que demonstra alguma dificuldade nesse exercício como se de o peso dos pecados dificultasse o seu transporte.
O Juiz tenta puxar o bandido para a terra, para o mundo dos pecadores, surgindo vestido com as vestes expostas à entrada do Museu do Conflito. Na sua mão transporta o processo de José do Telhado exposto no mesmo Museu, entrando em diálogo direto com a coleção.
Já do lado oposto surge Camilo Castelo Branco, admirado ou apaixonado pela personagem ou pelo instante. Este escreve tudo o que vê, criando uma relação tanto com a escrita compulsiva que tanto caracteriza Camilo Castelo Branco como autor, como também cria uma analogia simbólica dos momentos de partilha entre este e o seu herói romântico na Cadeia da Relação, já que foi o trabalho do escritor que romantizou a personagem de Zé do Telhado e nos possibilitou fantasiarmos a partir dela nos dias de hoje.
José do Telhado surge assustado, em pânico, como se não soubera qual o seu destino após a morte, como se estivesse a ser julgado no purgatório, sem saber qual será o desfecho, qual será a sua sentença, inspirando-se em autores como Dante e Gil Vicente.
A sua mão à direita apresenta-se limpa, voltada para Nossa Senhora da Conceição e para Camilo Castelo Branco, que o romantiza como um herói. Já a mão à esquerda surge suja de sangue , ou seja, símbolo de quem ja matou, voltada para o juiz que o toma como culpado. De reparar na posição da Nossa Senhora da Conceição que evita olhar a mão ensanguentada, como que perdoando todos os seus pecados.
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